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Formação Outdoor
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Formação Outdoor
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Percursores da formação outdoor

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A formação outdoor e actividades de aventura - adventure activities - tem registos na história dos percursos típicos de “aventura”, com as referências históricas mais vetustas remontando à Grécia Antiga, cuja principal função dos percursos de treino dos jovens atenienses, espartanos ou de outras cidades da Hélada, visava o apuramento das suas habilidades guerreiras e mais tarde inspirarão a Maratona nas Olimpíadas.

 

Os percursos pedestres, ao longo dos tempos, foram desenhados para indivíduos cujo objectivo era a preparação física e a selecção para provas de carácter desportivo ou de incremento da resistência, seguindo o lema latino "mens sana in corpore sano", no apuramento da exigência da disciplina física.

 

Baden Powell: o carácter lúdico da formação outdoor

Em tempos modernos,  no início do século passado, Sir Baden Powell aproveitou a sua experiência no exército inglês e das missões em África para dar uma resposta aos problemas da juventude do seu tempo: através de um pequeno grupo de jovens desfavorecidos da sociedade londrina, organiza o primeiro acampamento em Brownsea Island, em 1907. Estas primeiras actividades de ar livre - formação outdoor para jovens colhem o seu entusiasmo pelo caracter de formação informal, para a vida: através da pedagogia do jogo, o respeito pelas regras do jogo, o respeito pelo adversário, o contacto com a natureza, a aprendizagem com o mundo envolvente e a experiência adquirida de sobrevivência, despoletou este tipo de actividades de aventura de educação informal, nas origens da formação outdoor de hoje.

 

O movimento escutista tornou-se global porque encontrou eco entre as camadas de população juvenil carenciada pela componente de actividades de ar livre-formação outdoor, desenvolvimento e interacção de indivíduos em equipa, decisão democrática e projectos desenvolvidos pelos próprios jovens; simultaneamente, o seu eco é ampliado na sociedade pelo cariz inovador de utilidade pública e integração social, bem como por ser uma escola de democracia desde tenra idade e na aplicação da filosofia de gestão de projecto, hoje aplicada também em inúmeras situações de gestão das empresas (objectivos, concepção, planeamento, produção, recursos, implementação e avaliação).

 

A máxima do seu fundador assenta no princípio de que o carácter de uma pessoa se conhece melhor em actividades de ar livre que “dentro de casa”, leia-se em ambientes condicionados e formais, tem o fundamento da experiência de vida e a validade do melhor conhecimento da natureza humana em acção, no terreno, nas multiplas actividades de formação outdoor.

 

Kurt Hahn: o caracter experiencial da formação outdoor

Curiosamente e nas proximidades da época, colhendo várias influências-entre as quais do anterior exemplo, desperto para as realidades educacionais da sociedade inglesa, o educador Dr. Kurt Hahn tece uma crescente crítica pedagógica à educação escolar pública inglesa. Desenvolve 10 princípios educacionais no foro da formação informal que ainda hoje são seguidos pela escola que originou. A base do seu método de educação experimental está assente nas 7 leis de Salem, e que estarão nos fundamentos, em 1941, do método designado Outward Bound e que mais tarde assumirá características de “movimento” ou “escola”, espalhado hoje à escala global.

 

A visão de educação para a paz e o seu método é apresentada sob diversas formas, sendo extensa mais tarde às escolas de marinheiros: quando em 20 de Fevereiro de 1947 discursa perante a Honourable Mariners' Company, em Glasgow, apresenta a razão dos seus 4 antídotos de formação outdoor para vencer as doenças sociais -treino, expedições, projectos e serviço de resgate- como forma de adequar a os objectivos educacionais da formação informal à vida dos jovens, ao nível pessoal e da sua formação profissional.

 

Uma vez mais a experiência de vida foi soberana a ditar “regras”: a experiência dos velhos marinheiros superava a força e pujança física dos mais jovens nas provações dos naufrágios dos navios aliados bombardeados pelos alemães. Analisadas as situações adversas, concluiu que os desafios exigentes são superados com maior confiança tendo por base a experiência e essa era a causa do sucesso e da sua sobrevivência. Daí até desenvolver experiências desafiantes de apoiadas num suporte educacional foi um passo, por forma a incrementar uma maior auto-estima, força interior e força de carácter que permite fazer uso dessa experiência nos momentos extremos como as actividades de formação outdoor e actividades de aventura em regime de formação informal.

 

Paul Petzold: o caracter de aprendizagem da formação outdoor

Ambos os exemplos anteriores demonstram bem o resultado surpreendente obtido então e nos dias de hoje, a ponto de despertar o interesse sobre a temática da pedagogia e educação nos investigadores, filósofos, pedagogos e educadores, aliando progressivamente a movimentação para a sensibilização para o meio ambiente, integrando conceitos educativos e levando as pessoas em expedições prolongadas ao meio selvagem, utilizando os percursos criados especificamente para o efeito preparatório de formação outdoor, sob o ponto de vista físico e emocional para essas mesmas expedições.

 

O lendário Paul Petzold, reconhecido pelos americanos como o pai do montanhismo, fez parte da primeira expedição americana ao K2 na cordilheira dos Himalayas, em 1938. Essa glória valeu a sua contratação como instrutor chefe por Josh Miner, importador do programa de formação outdoor Outward Bound para os EUA.

 

Frustrado com a fraca qualidade dos instrutores e impulsionado pela crescente procura dos programas de aventura e actividades em regime de ar livre, decide fundar a National Outdoor Leadership School, no Wyoming, em 1965, dando origem a mais um conceito nesta área, o outdoor learning, e que estará na base dos desportos de aventura e parques temáticos sob a mesma configuração.

 

Formação outdoor: a profissionalização da formação informal

Pouco tempo depois, regista-se a fundação de outras empresas, de forma pioneira e arrojada, a construir percursos de obstáculos e a desenvolver equipamentos dedicados especificamente para a prática de programas de formação outdoor e outdoor adventure: é o caso emblemático da Project Adventure, fundada em 1971, e sem fins lucrativos.

 

Na Europa, estes conceitos de formação outdoor e actividades de aventura em espaços verdes foram introduzidos e adaptados à mentalidade e procura europeia, aliando a proximidade da natureza com o lazer, o desafio e as múltiplas actividades físicas, desportivas, de recreio e relaxe-descompressão: hoje associados a parques de lazer sob cenários temáticos, encontram-se ampliados pela oferta da componente lúdica integrada, em múltiplos formatos. A procura destas actividades evoluiu também e encontra-se numa já na fase de maturidade do ciclo de vida, não apenas circunscrita a um ambiente de aperfeiçoamento de capacidades ou competências técnico-profissionais, todavia ampliada para o reforço da vivência do núcleo social familiar.

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